Poema de Natasha do filme documentário – Borboletas de Zagorsk

“Dê me tua mão, que eu te direi quem és.

Em minha silenciosa escuridão,

Mais clara que o ofuscante sol,

Está tudo que desejarias ocultar de mim.

Mais que palavras, tuas mãos me contam tudo que recusavas dizer.

Fremente de ansiedade ou tremula de fúria,

Verdadeira amizade ou mentira,

 Tudo se revela ao todo de uma mão,

Quem é estranho, quem é amigo.

Tudo eu vejo na minha silenciosa escuridão.

Dê me tua mão, que te direi quem és.”

 

Manifesto produzido no Grupo de Pesquisa Educação e Interculturalidade – CNPq/UCDB: Quem são os homens de bem no Mato Grosso do Sul?

O que é ser humano? Ser homem, branco, cristão, heterossexual, escolarizado e burguês? Se esses são os referenciais da humanidade, provavelmente, muito poucos ou até ninguém seja humano. O padrão colonial perverso ironizado a partir da segunda interrogação permeia o nosso imaginário, discursos e produz as categorias opostas ao padrão (inumanos, desumanos, estranhos, alienígenas, aberrações, anormais, abjetos, monstros, etc.).

E o que é ser índio/a? Muitas respostas tentariam dar conta dessa complexa pergunta. Umas identificariam os índios/as como humanos, sob o ideal da igualdade. Algumas afirmariam: “eles são diferentes, no entanto, merecem respeito como todos os humanos/as”. Outras diriam: “os índios/as não são iguais a nós, portanto, inferiores”.

Implicitamente/explicitamente considera-se nessa última concepção que os índios/as não são humanos/as. O padrão colonial justifica em sua lógica a negação dos Direitos Humanos aos povos indígenas. Os que não se adéquam ao modelo humano de ser, não estão contemplados por esses direitos. A ditadura do latifúndio e/ou dos homens de bem/bens, os mais dignos de ser gente, mantém essa lógica conveniente aos seus interesses de perpetuarem a sua posição de melhor que os outros/as. E ser melhor, nesse sentido, quer dizer também ter maior concentração de recursos sob seu domínio e não partilhá-los com sujeitos desprezíveis.

Esse nazi-fascismo dos homens de bem/bens, promotor da limpeza étnica com seus grupos de extermínio, físicos e culturais, não deve continuar ditando as regras, circulando discursos que privilegiam os todo-poderosos como os donos da verdade e detentores da violência legítima em Mato Grosso do Sul. Não devemos deixar esses discursos dominarem nossas mentes, espíritos e corpos.

Sentimos medo, indignação, revolta e repudiamos essa situação de violência e negação do direito a vida dos povos indígenas. Convocamos outras pessoas a demonstrarem o que sentem com relação a isso também.

Linha de Pesquisa Diversidade Cultural e Educação Indígena – PPGE-UCDB

Grupo de Pesquisa Educação e Interculturalidade – CNPq/UCDB

Observatório de Educação Escolar Indígena – CAPES/INEP/MEC/UCDB

Núcleo de Estudos e Pesquisas das Populações Indígenas – NEPPI/UCDB

Inclusão Social com educação de qualidade!

 

Ao ler a matéria abaixo, refleti muito sobre a qualidade da educação no Brasil e percebi que em qualquer modalidade o ensino deve ser criterioso e promover aprendizado do aluno. O educando precisa concluir o curso sendo capaz de exercer sua profissão.Penso que a qualidade necessária não é só para os cursos de EAD, pois tem muitos cursos presenciais que deveriam ser fechados!

O que precisamos,  “consenso?”, é de qualidade na educação brasileira, em todos os níveis!

Dê uma lida, no trecho abaixo, (texto completo disponível em: http://www.educacaoadistancia.blog.br/ensino-a-distancia-cresce-rapido-com-qualidade-questionada/comment-page-1/#comment-21226)

 “é preciso investir na interação e garantir inclusão digital e social. “Ainda estamos nos apropriando das tecnologias para garantir a inclusão digital. Não chegamos ainda na inclusão social, para fazer com que o sujeito que não teria acesso algum a tecnologia e ensino tenha essa oportunidade”

Inclusão social, só irá acontecer com EDUCAÇÃO  DE QUALIDADE.

 

 

Inclusão Digital

A Evolução da EAD no Brasil

Ao ler o texto- A evolução da EAD no Brasil- fiquei bem contente! O autor, “desconhecido pra mim”, disse exatamente o que penso.

Percebo que a evolução educacional ficou em nível tecnológico. É comum encontrarmos aulas em EAD com ‘cara’ de presencial, não há uma metodologia adequada nem mesmo no livro-texto. O professor precisa realizar pesquisas, conversar com os alunos, estudar, enfim, precisamos mudar a forma de ministrar as aulas (até mesmo nas aulas presenciais) e pra isso entendo que precisamos de mais pesquisas sobre o processo de ensino/aprendizado de adultos, especialmente em EAD.

Outro assunto recorrente em EAD é o perfil do aluno. Lembro-me que o primeiro curso a distância que tentei fazer foi um desastres, era um curso de pós graduação, gratuito pela UFMS, pois é, perdi a pós, e algumas oportunidades de emprego! Achei que a culpa era minha, que eu não tinha o perfil pra ser aluna em EAD, ficou fácil me culpar e por isso desisti do curso.

Depois resolvi fazer um curso de extensão por uma empresa importante no Brasil. Desta vez eu estava totalmente treinada, não poderia perder o curso, assisti o vídeo disponível no ambiente, li o material, as apostilas e tudo que deveria fazer eu fiz. Garanto! Mas isso não quer dizer que aprendi, então fico aqui pensando, será que o problema da EAD está apenas no perfil do aluno?

Ainda me arrependo por ter feito matricula no tal curso, foram 180 reais que poderiam ser investidos em ótimos livros! Mas não, pois foram gastos em curso que não acrescentou muita coisa em minha vida profissional, a não ser por este post e pela experiência.

Alguns colegas de tutoria afirmam que a EAD não é para qualquer aluno, insistem que o aluno deve ter um perfil específico e coisas assim, mas se a Universidade Aberta pretende democratizar o acesso a universidade e pra isso oferece cursos em EAD para alunos que não tiveram acesso, será que esses alunos terão condições de cursar um curso em EAD? Será que sabemos fazer Educação a Distância?

 Leia o texto : http://www.educacaoadistancia.blog.br/a-evolucao-da-ead-no-brasil/comment-page-1/#comment-19710

Pra início de conversa…

Como professora, tanto da Educação Básica como do Ensino Superior, faço uso da internet como ferramenta. Porém como aluna esse uso é mais intenso, estou cursando outra graduação em História, além da pós é claro, nas duas oportunidades tenho experimentado o fantástico acesso as informações do mundo, por meio da rede!
Atualmente minha relação com a ferramenta é mais intensa do que na minha primeira graduação, hoje consulto podcast, sites, blogs, vídeos, comunidades, imagens, textos, documentos, enfim, sempre que preciso tirar dúvidas, faço sem muitos problemas.
Essa é mudança significativa, pois muda o conceito de tempo e espaço, sem a internet, a pesquisa em outros textos torna-se limitada ao horário de funcionamento e ao local onde. Mas, isso é MUITO diferente, pois se quisermos pesquisar podemos fazer a qualquer hora. Só precisamos ter cuidado, pois nem sempre essas informações são confiáveis, além disso, precisamos admitir que nem tudo é um mar de rosas, pois o acesso ainda é restrito e qualidade não é tão boa assim.
Falando disso, me ocorre outra dificuldade no uso da internet: a linguagem. Sabemos que uma pessoa imigrante no mundo digital irá encontrar problemas ao tentar decifrar essa linguagem, e para sanar é necessário ser um desbravador! Ao superar o medo e a dificuldade inicial o imigrante será incluído e se sentirá pertencente a esse mundo.

Poesia – Manuel de Barros – Soberania

Naquele dia, no meio do jantar, eu contei que
tentara pegar na bunda do vento — mas o rabo
do vento escorregava muito e eu não consegui
pegar. Eu teria sete anos. A mãe fez um sorriso
carinhoso para mim e não disse nada. Meus irmãos
deram gaitadas me gozando. O pai ficou preocupado
e disse que eu tivera um vareio da imaginação.
Mas que esses vareios acabariam com os estudos.
E me mandou estudar em livros. Eu vim. E logo li
alguns tomos havidos na biblioteca do Colégio.
E dei de estudar pra frente. Aprendi a teoria
das idéias e da razão pura. Especulei filósofos
e até cheguei aos eruditos. Aos homens de grande
saber. Achei que os eruditos nas suas altas
abstrações se esqueciam das coisas simples da
terra. Foi aí que encontrei Einstein (ele mesmo
— o Alberto Einstein). Que me ensinou esta frase:
A imaginação é mais importante do que o saber.
Fiquei alcandorado! E fiz uma brincadeira. Botei
um pouco de inocência na erudição. Deu certo. Meu
olho começou a ver de novo as pobres coisas do
chão mijadas de orvalho. E vi as borboletas. E
meditei sobre as borboletas. Vi que elas dominam
o mais leve sem precisar de ter motor nenhum no
corpo. (Essa engenharia de Deus!) E vi que elas
podem pousar nas flores e nas pedras sem magoar as
próprias asas. E vi que o homem não tem soberania
nem pra ser um bentevi.


Texto extraído do livro (caixinha) “Memórias Inventadas – A Terceira Infância”, Editora Planeta – São Paulo, 2008, tomo X, com iluminuras de Martha Barros.

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