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Archive for dezembro \07\UTC 2011

Poema de Natasha do filme documentário – Borboletas de Zagorsk

“Dê me tua mão, que eu te direi quem és.

Em minha silenciosa escuridão,

Mais clara que o ofuscante sol,

Está tudo que desejarias ocultar de mim.

Mais que palavras, tuas mãos me contam tudo que recusavas dizer.

Fremente de ansiedade ou tremula de fúria,

Verdadeira amizade ou mentira,

 Tudo se revela ao todo de uma mão,

Quem é estranho, quem é amigo.

Tudo eu vejo na minha silenciosa escuridão.

Dê me tua mão, que te direi quem és.”

 

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Manifesto produzido no Grupo de Pesquisa Educação e Interculturalidade – CNPq/UCDB: Quem são os homens de bem no Mato Grosso do Sul?

O que é ser humano? Ser homem, branco, cristão, heterossexual, escolarizado e burguês? Se esses são os referenciais da humanidade, provavelmente, muito poucos ou até ninguém seja humano. O padrão colonial perverso ironizado a partir da segunda interrogação permeia o nosso imaginário, discursos e produz as categorias opostas ao padrão (inumanos, desumanos, estranhos, alienígenas, aberrações, anormais, abjetos, monstros, etc.).

E o que é ser índio/a? Muitas respostas tentariam dar conta dessa complexa pergunta. Umas identificariam os índios/as como humanos, sob o ideal da igualdade. Algumas afirmariam: “eles são diferentes, no entanto, merecem respeito como todos os humanos/as”. Outras diriam: “os índios/as não são iguais a nós, portanto, inferiores”.

Implicitamente/explicitamente considera-se nessa última concepção que os índios/as não são humanos/as. O padrão colonial justifica em sua lógica a negação dos Direitos Humanos aos povos indígenas. Os que não se adéquam ao modelo humano de ser, não estão contemplados por esses direitos. A ditadura do latifúndio e/ou dos homens de bem/bens, os mais dignos de ser gente, mantém essa lógica conveniente aos seus interesses de perpetuarem a sua posição de melhor que os outros/as. E ser melhor, nesse sentido, quer dizer também ter maior concentração de recursos sob seu domínio e não partilhá-los com sujeitos desprezíveis.

Esse nazi-fascismo dos homens de bem/bens, promotor da limpeza étnica com seus grupos de extermínio, físicos e culturais, não deve continuar ditando as regras, circulando discursos que privilegiam os todo-poderosos como os donos da verdade e detentores da violência legítima em Mato Grosso do Sul. Não devemos deixar esses discursos dominarem nossas mentes, espíritos e corpos.

Sentimos medo, indignação, revolta e repudiamos essa situação de violência e negação do direito a vida dos povos indígenas. Convocamos outras pessoas a demonstrarem o que sentem com relação a isso também.

Linha de Pesquisa Diversidade Cultural e Educação Indígena – PPGE-UCDB

Grupo de Pesquisa Educação e Interculturalidade – CNPq/UCDB

Observatório de Educação Escolar Indígena – CAPES/INEP/MEC/UCDB

Núcleo de Estudos e Pesquisas das Populações Indígenas – NEPPI/UCDB