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Archive for the ‘Poesia’ Category

Poema de Natasha do filme documentário – Borboletas de Zagorsk

“Dê me tua mão, que eu te direi quem és.

Em minha silenciosa escuridão,

Mais clara que o ofuscante sol,

Está tudo que desejarias ocultar de mim.

Mais que palavras, tuas mãos me contam tudo que recusavas dizer.

Fremente de ansiedade ou tremula de fúria,

Verdadeira amizade ou mentira,

 Tudo se revela ao todo de uma mão,

Quem é estranho, quem é amigo.

Tudo eu vejo na minha silenciosa escuridão.

Dê me tua mão, que te direi quem és.”

 

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Poesia – Manuel de Barros – Soberania

Naquele dia, no meio do jantar, eu contei que
tentara pegar na bunda do vento — mas o rabo
do vento escorregava muito e eu não consegui
pegar. Eu teria sete anos. A mãe fez um sorriso
carinhoso para mim e não disse nada. Meus irmãos
deram gaitadas me gozando. O pai ficou preocupado
e disse que eu tivera um vareio da imaginação.
Mas que esses vareios acabariam com os estudos.
E me mandou estudar em livros. Eu vim. E logo li
alguns tomos havidos na biblioteca do Colégio.
E dei de estudar pra frente. Aprendi a teoria
das idéias e da razão pura. Especulei filósofos
e até cheguei aos eruditos. Aos homens de grande
saber. Achei que os eruditos nas suas altas
abstrações se esqueciam das coisas simples da
terra. Foi aí que encontrei Einstein (ele mesmo
— o Alberto Einstein). Que me ensinou esta frase:
A imaginação é mais importante do que o saber.
Fiquei alcandorado! E fiz uma brincadeira. Botei
um pouco de inocência na erudição. Deu certo. Meu
olho começou a ver de novo as pobres coisas do
chão mijadas de orvalho. E vi as borboletas. E
meditei sobre as borboletas. Vi que elas dominam
o mais leve sem precisar de ter motor nenhum no
corpo. (Essa engenharia de Deus!) E vi que elas
podem pousar nas flores e nas pedras sem magoar as
próprias asas. E vi que o homem não tem soberania
nem pra ser um bentevi.


Texto extraído do livro (caixinha) “Memórias Inventadas – A Terceira Infância”, Editora Planeta – São Paulo, 2008, tomo X, com iluminuras de Martha Barros.

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